
Pronuncia-se bérriu o nome de uma das embarcações da expedição
de descoberta do caminho marítimo para a Índia de Vasco da Gama.
Era uma caravela latina - envergava panos triangulares que lhe
permitiam bolinar melhor - robusta e veloz, com 30 metros de comprimento, três
mastros e 50 tonéis de porte (1 tonel = 850 litros), equivalente a cerca de 43
toneladas.
A "BÉRRIO" partiu de Lisboa a 8 de Julho de 1497,
juntamente com as naus - estas embarcações utilizavam pano redondo - "S.
GABRIEL" e "S. RAFAEL" cada uma com 90 tonéis, bem como uma
carraca de mantimentos com 110 tonéis, sem nome ou "S. MIGUEL"
segundo alguns historiadores.
Sendo a mais leve e rápida da frota foi a primeira embarcação a
regressar a Lisboa a 10 de Julho de 1499 sob o comando de Nicolau Coelho e
tendo como piloto Pero de Escobar, que mais tarde acompanhariam D. Pedro
Álvares Cabral na sua viagem de "descoberta" oficial (1500) do
Brasil.
Chamou-se de "BÉRRIO" por ter sido vendida a El-Rei D.
Manuel I, para fazer parte da frota da Índia, pelo seu proprietário D. Manuel de Bérrio, natural de Lagos, que a aparelhou por
ser conceituado piloto na época.

Figura esta caravela (*) nas notas de
2.000$00 e de 10.000$00 da República Portuguesa em série evocativa do 5º
Centenário dos Descobrimentos Portugueses, bem como numa colecção da Fosforeira
Portuguesa; ainda consta de uma colecção de 3 medalhas comemorativas da Grande
Regata Vasco da Gama 98, Lisboa Sail ’98, editadas pela APORVELA em
colaboração com o Banco Português de Investimentos.
Existe um modelo à escala 1/500 na Sala dos Descobrimentos do Museu de Marinha em Lisboa.
O nome de Bérrio volta a ser usado num navio com 400 toneladas
da Real Armada Portuguesa, mandado construir em França durante o reinado de D.
Carlos (1898), e posteriormente (1930) transformado em navio-hidrográfico,
tendo sido utilizado no levantamento da costa de Moçambique e entretanto
abatido ao efectivo.
Nas comemorações do 5º Centenário dos Descobrimentos Portugueses
foi encomendado aos estaleiros de Samuel & Filhos, de Vila do Conde, a
construção da caravela "Bartolomeu Dias" (presentemente na África do
Sul) e algum tempo depois a "Boa Esperança" (ambas réplicas de 20
metros e dois mastros), sendo a última propriedade da APORVELA e que navega sob
o comando de João da Costa Lopes.
Recentemente (1993) a Armada Portuguesa baptisou de “BÉRRIO” um
navio reabastecedor de esquadra com 11.485 toneladas construído no Reino Unido
(1970) e pertencente à classe Rover, navios conhecidos pela sua solidez e
capacidade de operar nas condições de mar mais desfavoráveis, que se tornou
conhecido por ter acompanhado a fragata “VASCO DA GAMA” durante o conflito na
Guiné-Bissau (1998).
(*) Há dúvidas sobre se o navio
“BÉRRIO” seria uma caravela latina, ou uma caravela redonda (utilizada pelos
navegadores portugueses desde, pelo menos, 1470) conforme parece desenhada no
“Livro das Armadas”, ou mesmo uma nau conforme se poderá deduzir do relato da
viagem de Álvaro Velho no livro “Roteiro”.
Pesquisa de Octávio
Diaz-Bérrio